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Das poesias que li, guardei citações. Anotei lembranças, tentei rasgar papéis. O fogo não queima a memória e o cheiro do passado se espalha. De Drummond, tristes constatações do sentimento colocado em palavras. De Brecht, a primavera triste e o verão perdido.
Os Resíduos do passado atormentam, mas já não doem. Aprendi com outros erros. E cansei desta infame brincadeira.
"E de tudo fica um pouco. Oh abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória." CDA
Escrito por Bru Buzzo às 00h18
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Caixinha de memórias
Do topo da escada, cantava. Moça, queria voltar a ser menina, não ter que enfrentar as contradições da vida adulta. Deixou as lágrimas secarem, buscou encarar de frente seus medos mais profundos. Os sentimentos que haviam aflorado de maneira subita dias antes consegiu conter, falou com calma, pausada e cuidadosamente. Já não precisava mais calar.
Com alguma reflexão, percebeu que não mais valia a pena chorar. Que já se fizera as mesmas perguntas uma vez. Que já tivera aquelas mesmas dúvidas. E quis deixar que todas passassem, como passaram uma vez. Desejou para si mesma dias mais felizes, a volta da infância, a volta das brincadeiras descompromissadas, a volta das inocentes trocas de olhares.
Quis afastar para longe de si cada lembrança, cada momento, cada pequeno vestígio daquele passado recente. Não conseguiu e, refletindo, percebeu que não o faria. Percebeu que não trocaria suas tristezas anteriores por nada, como não o faria com as de agora. Preferiu suas angústias de menina-moça aos sorrisos de criança.
No baú de memórias, foi procurar consolo. Encontrou sinais de tempos remotos, lembranças distantes que já haviam sido empurradas para o limbo da memória. Sorriu de todas, e alegrou-se mais uma vez, como se revivesse cada belo momento. Um sorriso maduro e calejado, fruto de reflexões sóbrias e pensamentos já não tão confusos. Suas mágoas se foram, ou foram guardadas em algum cantinho da memória virtual, e os degraus que descia eram agora acompanhados por alguns versinhos que trazia na cabeça. Lembranças apenas.
Escrito por Bru Buzzo às 01h05
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Coração voa longe, distante. Sozinho, quer calor, quer companhia. Quer a companhia feliz do dia-a-dia. Ou quer tempo. Quer paz, sossego, nada pra fazer. Quer amor, quer você.
Escrito por Bru Buzzo às 20h04
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JUCA

As aparências enganam.
Escrito por Bru Buzzo às 01h35
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Escrito por Bru Buzzo às 16h04
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Frio
De noite, no interior, havia uma lareira acesa, um bom livro e bastante comida. Faltou a companhia adequada e chocolate quente.
Escrito por Bru Buzzo às 00h04
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Sutil
Ontem choveu. Havia raios e trovões. Me lembrei de você. Senti falta dos seus sustos. Do seu sorriso tímido.
Escrito por Bru Buzzo às 00h18
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Verão
Um belo dia, resolvi ser azul Decidi deixar o passado para trás e ouvir, quem sabe, uma nova música
Cansei de ser criança, Cansei de esperar por palavras que jamais serão ditas Quero dizê-las
Gritar em alto e bom som Me sentir leve outra vez
Quero ver a última flor da primavera cair E sorrir um sorriso tímido
Escrito por Bru Buzzo às 01h00
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haikai
primeiro frio do ano fui feliz se não me engano
Paulo Leminski
Um agradecimento especial, caro amigo!
Escrito por Bru Buzzo às 00h45
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Falta
Correria. Ir de um lado pro outro. E tem sido sempre assim. Inspiração a tempos que não vem, cansai de falar do transito, de falar sobre São Paulo. Cansei também da melancolia dos velhos textos. Não tenho fotos novas que considero interessantes o bastante para serem publicadas em um blog. Minhas idéias se acabaram. Vem o sono, passam as horas. E nada. Espero. Há textos velhos que nunca digitei. Perderam o sentido. Rápido. Transitório. Como era? (...) "mantenho minha esperança" Um texto antigo Ainda faz sentido As metáforas sobre estações do ano, árvores de natal e chuvas perderam-se. Ainda soam bonitas, ainda gosto delas. Mas o que as inspirou parece-me cada vez mais longe. E no entanto é tão presente. Maldito acaso, malditas coincidências. O livro mais bonito que li me lembra minhas metáforas. Me lembra metáforas que tenho me esforçado tanto pra esquecer. Eu, que tive tanto medo, que por momentos me fiz tão triste, em um instante insano tive vontade de confessar De ser sincera. Sincera como não sou a tempos.
Escrito por Bru Buzzo às 01h18
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Há dias em que a gente acorda meio mal. Sente que precisava ter dormido mais. Sai de casa atrasado, perde o onibus. E ainda encontra suas conversas pelo caminho.
Escrito por Bru Buzzo às 01h08
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Pseudo-texto
Evidentemente não consegui chegar ao trabalho no horário desejado. Esta cidade enlouquece qualquer um. Dezoito, quase 19 anos depois e ainda não me acostumei. Trânsito, caos, vinte e cinco minutos à espera de um ônibus. Três capítulos depois e ainda perto do local de origem.
Escrito por Bru Buzzo às 15h26
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Cidade às pressas
Quero abrir a janela e deixar a brisa fresca da manhã entrar Quero sol, quero a alegria Quero a poesia da cidade Quero a correria E a felicidade que ela traz
Escrito por Bru Buzzo às 13h34
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Árvore de Natal
Por que um dia eu fui criança e fui feliz. Ganhei de presente aquilo que quiz
Era singelo, pequeno Era simples Mas era meu. E eu o tinha, tão trânquilo, numa caixa, em baixo da árvore enfeitada.
A árvore é a mesma, muitos enfeites se quebraram Vidro, um descuido, foi-se a infância
A árvore já não guarda mais surpresas A manhã de natal agora começa tarde Não há emoção
Como outra qualquer, perdida em meio às férias O almoço já não tem mais o mesmo gosto A família parece únida
O filme trás lembranças que jamais verei em baixo da árvore Coisas pelas quais valeria a pena acordar cedo na manhã de natal Presente que já não ganho mais
Escrito por Bru Buzzo às 13h09
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Há lembranças que não cabem em palavras, que não foram fotografadas. Jamais compartilhadas, vivem. Vivem apenas no fundo da memória, no imenso bau de emoções que é a alma humana. Cenas para se lembrar sozinho, em um quarto escuro num dia chuvoso. Para sentir saudades nas tardes de sol. Lembrar, e evitar agora, a palavra que nunca existiu. Diálogo que falha, o melancólico silêncio que veio com a primavera.
Escrito por Bru Buzzo às 20h40
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