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Reflexão
Há tempos tenho vontade de montar uma espécie de ensaio fotográfico, combinar as fotos de que mais gosto com as citações que coleciono dos livros que leio. Ou associar tudo com filmes. Ou fazer um misto de tudo. De tudo um pouco, e montar algo que me agrde plenamente. Texto, imagem, recordações passadas associadas a tudo isto.
Tenho visto tantos filmes, e tirado tantas fotos. Leio mais agora do que a alguns anos. Talvez não por que tenha mais tempo. Talvez seja apenas por que ando mais de ônibus. E sempre tento não dormir. Deve ser a vantagem de morar longe de onde se estuda e trabalha. E fico com vontade de associar tudo. Associar paixões, bons momentos, boas lembranças. E tudo de forma racional e visível.
As vezes também tenho vontade de escrever um pequeno texto, ou algumas observações sobre os filmes que vejo. Mas nem sempre me disponho a fazê-lo. Na ultima semana de férias, me sinto bastante viciada e com material suficiente para alimentar um blog sobre filmes por uns tempos. Em alguns dias, cheguei a 3 filmes por dia. 2 no cinema, mais um em dvd. E sem sofá. Um recorde. (Conforto é algo quase indispensável à longas estadas em uma sala e à boa apreciação dos filmes)
Alguns livros preciso reler, e desta vez anotar as citações deixadas para trás. O mesmo com filmes. Um livro: Admirável Mundo Novo. Um filme: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. O primeiro fantástico. O segundo com ótima fotografia e um roteiro divertido, mas sem o algo a mais que eu esperava dela após tantos elogios.
Em filmes, sinto falta do cenário (Dogville, Manderlay), de uma fotografia clara e viva (ainda Manderlay) e de um bom roteiro (aqui há vários, o mais recente poderia ser "Nem por cima do meu cadáver", estréia de setembro - "Ghost seria assim de fosse uma comédia"). Nos livros, sinto falta das belas palavras e filosofias de Milan Kundera. Foi tbm disto que senti falta ao ver o filme de "A Insustentavel Leveza do Ser", me decepcionou.
Do mais, acho que é só. Não há poesia desta vez. Não há inspiração. Ou há idéias demais vindas de fora. A anestesia do cinema. E ainda persiste a dúvida se esta é mesmo saudável.
Escrito por Bru Buzzo às 00h07
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Ainda na caixinha
Tome cuidado com o que ouve, com o que lê, com o que vê. Cuidado para não misturar tudo na panela, naquela mesma cujo cheiro Drummond não suportaria. E acima de tudo, separe os bons cheiros. E guarde para saborear novamente no futuro, quando já os tiver esquecido. Do sorriso que ganhar, relembre o que se foi. E seja feliz no breve instante do presente que relembra o passado.
Escrito por Bru Buzzo às 20h39
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Conselho
Guarda tuas reflexões. Os textos velhos em pequenos papéis. Espalhados em agendas, perdidos no meio de livros. Guarda tuas frases, anota idéias. Não deixe que algumas letras contaminem teus mais singelos pensamentos, minha pequena. Anota minhas dicas. No futuro, olhe-as com outros olhos. Talvez lendo tuas páginas, lembre-se do velho amigo. Do amigo perdido, do amor esquecido, do sofrimento passado. Não deixa que te magoem. Teu sorriso não merece estas lágrimas. Se foi. Passou. Agora levanta. Vem. Vamos ao parque? Andar de bicicleta. Levo a câmera e te deixo brincar. Vamos ser crianças mais uma vez, meu amor.
Escrito por Bru Buzzo às 00h21
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Das poesias que li, guardei citações. Anotei lembranças, tentei rasgar papéis. O fogo não queima a memória e o cheiro do passado se espalha. De Drummond, tristes constatações do sentimento colocado em palavras. De Brecht, a primavera triste e o verão perdido.
Os Resíduos do passado atormentam, mas já não doem. Aprendi com outros erros. E cansei desta infame brincadeira.
"E de tudo fica um pouco. Oh abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória." CDA
Escrito por Bru Buzzo às 00h18
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Caixinha de memórias
Do topo da escada, cantava. Moça, queria voltar a ser menina, não ter que enfrentar as contradições da vida adulta. Deixou as lágrimas secarem, buscou encarar de frente seus medos mais profundos. Os sentimentos que haviam aflorado de maneira subita dias antes consegiu conter, falou com calma, pausada e cuidadosamente. Já não precisava mais calar.
Com alguma reflexão, percebeu que não mais valia a pena chorar. Que já se fizera as mesmas perguntas uma vez. Que já tivera aquelas mesmas dúvidas. E quis deixar que todas passassem, como passaram uma vez. Desejou para si mesma dias mais felizes, a volta da infância, a volta das brincadeiras descompromissadas, a volta das inocentes trocas de olhares.
Quis afastar para longe de si cada lembrança, cada momento, cada pequeno vestígio daquele passado recente. Não conseguiu e, refletindo, percebeu que não o faria. Percebeu que não trocaria suas tristezas anteriores por nada, como não o faria com as de agora. Preferiu suas angústias de menina-moça aos sorrisos de criança.
No baú de memórias, foi procurar consolo. Encontrou sinais de tempos remotos, lembranças distantes que já haviam sido empurradas para o limbo da memória. Sorriu de todas, e alegrou-se mais uma vez, como se revivesse cada belo momento. Um sorriso maduro e calejado, fruto de reflexões sóbrias e pensamentos já não tão confusos. Suas mágoas se foram, ou foram guardadas em algum cantinho da memória virtual, e os degraus que descia eram agora acompanhados por alguns versinhos que trazia na cabeça. Lembranças apenas.
Escrito por Bru Buzzo às 01h05
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Frio
Precisamante às 22h22 de uma noite fria, o vento separou dois pombos que pareciam voar felizes. Ninguém sabia se de fato o eram, ou o que havia por trás daqueles olhares trocados, daquele silêncio.
Voaram em direções opostas, afastados de sua vivência tão feliz. Ainda voltariam a se encontrar.
Escrito por Bru Buzzo às 22h20
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Cores
Estive pensando, no vermelho dos teus olhos, quanto sou eu? No azul dos teus sorrisos, quanto se perdeu? Das tuas metáforas alegres, quanta mágoa derramaste? Quanto da tua felicidade deixaste que eu levasse? Quanto sofrimento lhe causei?
Escrito por Bru Buzzo às 00h07
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Na minha estante pessoal, tem aquelas pessoas de quem gosto mais, os melhores momentos, as melhores lembranças, as maiores tristezas.
Todas as frustrações, guardadas, voltam de tempos em tempos. Entristece o dia. Faz chorar. Os momentos que não tive, cada pequena lágrima contida, esta lá, e as vezes volta, quer sair, quase explode.
Explodo. Momentos mistos, tristeza repentina. Inexplicada, parece ñ ter motivo, mas ñ cansa de lembrar cada pequena dor acumulada.
Cada conversa, umas tão parecidas com as outras. A ingenuidade da infância misturada com todas as frustrações de algumas poucas experiências.
As comparações inevitáveis de tempos em tempos, a melancolia de perceber como as coisas mudam. E mudam tão depressa.
E que fazer? Reprimir as lágrimas, tentar entender, busco explicações, não encontro. Explicações não há.
Tempo. Bem precioso, causa de todos os males.
Mas resolveria?
Não sei bem ao certo.
Não sei o que quero, o que procuro, o que espero. Quero paz. Os hippies. Talvez seja isso.
Difícil tentar se entender, olhar pra dentro e nada ver. Dói. E nem sei por que.
Escrito por Bru Buzzo às 22h37
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Coração voa longe, distante. Sozinho, quer calor, quer companhia. Quer a companhia feliz do dia-a-dia. Ou quer tempo. Quer paz, sossego, nada pra fazer. Quer amor, quer você.
Escrito por Bru Buzzo às 20h04
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JUCA

As aparências enganam.
Escrito por Bru Buzzo às 01h35
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Escrito por Bru Buzzo às 16h04
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Frio
De noite, no interior, havia uma lareira acesa, um bom livro e bastante comida. Faltou a companhia adequada e chocolate quente.
Escrito por Bru Buzzo às 00h04
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Sutil
Ontem choveu. Havia raios e trovões. Me lembrei de você. Senti falta dos seus sustos. Do seu sorriso tímido.
Escrito por Bru Buzzo às 00h18
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Verão
Um belo dia, resolvi ser azul Decidi deixar o passado para trás e ouvir, quem sabe, uma nova música
Cansei de ser criança, Cansei de esperar por palavras que jamais serão ditas Quero dizê-las
Gritar em alto e bom som Me sentir leve outra vez
Quero ver a última flor da primavera cair E sorrir um sorriso tímido
Escrito por Bru Buzzo às 01h00
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haikai
primeiro frio do ano fui feliz se não me engano
Paulo Leminski
Um agradecimento especial, caro amigo!
Escrito por Bru Buzzo às 00h45
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